Quando o reconhecimento ainda não chegou
Chega um momento na vida em que não temos mais medo de errar, mas medo de não sermos vistos.
Acho que é natural, na jornada de qualquer pessoa, atravessar uma fase em que o medo principal é fazer errado: de não sair como esperado, de bagunçar tudo, de perder o controle. Com o tempo — e com a experiência — a maturidade traz outra compreensão: errar faz parte. Há coisas que simplesmente fogem do nosso controle.
Quando algo dá errado, o que fica é o aprendizado. A rota se recalcula. A gente ajusta e segue. Aos poucos, ganhamos segurança sobre aquilo que fazemos, em qualquer área da vida. Aprendemos a dizer não, a colocar limites, a sustentar um ponto de vista sem medo da repercussão. Nem tudo vai agradar. Coisas podem sair errado. E está tudo bem.
Esse processo, no entanto, exige movimento. Quem passa a vida inteira evitando riscos, sem se colocar no mundo, sem atravessar o erro, não exercita esse músculo. Não aprende a lidar com os desafios — tampouco colhe os frutos.
Curiosamente, quando a segurança chega, surgem outras questões. Uma delas é o medo da falta de validação externa (ou reconhecimento). Mesmo quando sabemos que estamos fazendo o nosso melhor, mesmo quando sustentamos com clareza o que fazemos, a validação nem sempre vem. E isso nem sempre é fácil de atravessar, especialmente quando falamos de trabalho, negócios e clientes.
Todo projeto passa por um processo de construção e validação. E isso não costuma ser rápido. Alguns levam anos para se estruturar; outros parecem nascer prontos, mas ainda assim não encontram reconhecimento imediato. A verdade — pouco confortável — é que tudo leva tempo. Não existem atalhos.
Isso não significa que resultados rápidos sejam impossíveis. Com a estratégia certa, eles podem, sim, acontecer. Mas quando a intenção é construir algo mais profundo, com visão de longo prazo, é preciso paciência para sustentar um caminho que não segue a lógica imediatista do mercado de massa.
Pioneiros são poucos; a maioria repete fórmulas. O que não se copia é a visão, o sonho e a forma como alguém sustenta aquilo em que acredita. É isso que cria identificação. É isso que atrai. Por isso, eu não gosto muito da ideia de “competição de mercado”. Quando a lógica é competir, o desgaste é inevitável. Quando a escolha é ser singular, o caminho exige outra postura — mais coerente, mais paciente, mais fiel ao próprio eixo.
À medida que essa visão se fortalece, surge outro aprendizado importante: lidar com o feedback — e também com o silêncio. Educar uma clientela, comunicar um posicionamento e construir reconhecimento real leva tempo, especialmente quando se escolhe um caminho menos óbvio.
O meu trabalho, por exemplo, não nasce de grandes estruturas ou grandes equipes. Ele nasce da forma como escolho me colocar no mundo e da intenção de torná-lo mais belo, mais sensível, mais atento. Presença não grita. Presença é silenciosa.
Se o seu negócio — assim como o meu — é sustentado por uma única pessoa, ou um pequeno time, tenha paciência. Se você busca um estilo de vida mais harmônico, não se aflija com a ausência de validação imediata. Pense no longo prazo. Sustente sua energia, porque ela comunica mais do que qualquer estratégia.
Na Índia, aprendi que templos não são construídos do dia para a noite. Eles nascem quando o campo criado dentro de uma casa, com orações e tempo dedicado à contemplação, se torna grande demais para ser contido. Então se constrói um espaço para sustentar aquela energia, que cresce cada vez mais com o cultivo diário, com visitas, oferendas... Essa energia se torna tão poderosa que é capaz de operar milagres.
Negócios e caminhos de vida funcionam da mesma forma. É como um jardim que deve ser cuidado diariamente.
Não tenha medo de não ser notada.
Sustente o seu campo e ele vai florescer.