Enquanto todo mundo disputa atenção, eu ainda acredito em outra coisa

Ontem eu assisti a um vídeo de uma criadora muito grande. Marca de produtos físicos, marca pessoal, canal no YouTube, podcast. Jovem, bonita, bem-sucedida pelo que o mercado reconhece como sucesso. E eu me peguei assistindo um vídeo dela sobre marketing digital, o que, por si só, já diz alguma coisa sobre onde a minha cabeça estava.

Estou na internet desde 2019 dando voz aos meus projetos. E por muito tempo acreditei que o problema era a minha falta de clareza. Olhava para outras pessoas e me perguntava como elas já sabiam quem eram, como chegavam tão rápido, como pareciam tão inteiras dentro do que faziam.

O que eu não percebia é que clareza não é um ponto de partida. É uma chegada. E ela custou tempo, experiências e muitas estratégias que me fizeram murchar por dentro antes mesmo de executar.

A Aura Veda nasceu desse lugar, de quando eu finalmente entendi o que fazia sentido para mim. O que dava voz à minha própria essência, não à essência de outra pessoa.

Mas o marketing tradicional continuou me incomodando, e eu fui entender por quê.

Esses sistemas são construídos sobre tendências. Estudos de comportamento, análise de mercado, leitura do momento. São pessoas sérias, competentes, que realmente geram riqueza… não estou desqualificando nada disso.

O que me incomoda é outra coisa: tendência, por natureza, passa. E quem constrói em cima dela vive numa corrida permanente, sempre atualizando, sempre adaptando, sempre com aquela sensação sutil de estar um passo atrás (acho isso exaustivo!).

No vídeo que vi ontem, ela disse que hoje as marcas não disputam mais fatia de mercado, não competem só com marcas do mesmo segmento. Elas disputam interesse. E ela está certa, isso é o que está acontecendo agora. Mas eu ouvi aquilo e me peguei fazendo, de novo, a mesma pergunta que faço desde o começo:

e o que não muda?

Porque existe algo anterior às tendências. Algo que não depende do algoritmo do momento, da rede social da vez, da linguagem que está convertendo agora.

Existe o que é essencialmente humano, como a necessidade de se sentir reconhecido, de confiar antes de se aproximar, de perceber que há algo verdadeiro do outro lado. O desejo de pertencer a algo que ressoa, não de ser convencido por algo que grita. Isso não é tendência. Isso é estrutura. E quanto mais o mundo acelera, mais raro, e mais poderoso, se torna quem ancora nessa estrutura.

Eu concordo com uma outra coisa que ela disse: as redes deixaram de ser sociais. Hoje são redes de interesse. Já passamos da fase dos álbuns de família e das conexões por proximidade. Vivemos segmentados por afinidade, por universo, por aquilo que nos move.

E isso, curiosamente, é uma boa notícia para quem cria a partir de dentro. Porque se as pessoas estão em redes de interesse, elas estão buscando algo específico, não o mais barulhento, mas o mais verdadeiro para aquele interesse delas. Sua voz tem força quando vem da sua própria substância. Não quando imita a substância de outro.

O que não muda não é uma estratégia. É um princípio.

Quando você cria a partir de quem você é, com consistência, com intenção, com cuidado, você não precisa competir. Você simplesmente ocupa o seu lugar. E o que é seu não precisa ser disputado.

O que é imutável para você? 

Que princípio você carrega que nenhuma tendência conseguiu substituir?

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